Pelas ruas de Angra do Heroísmo

Angra do Heroísmo - PedalaçoresFoi bom passar por casa depois de alguns dias de viagem e como não podia deixar de ser, percorri a ilha Terceira em busca de ciclistas e de belas paisagens dos Açores.

O dia estava ligeiramente encoberto e aquela nuvem a enrolar na Serra do Cume me levou a crer que ia chover mas mesmo assim, desafiei a estrada e parti para a estrada.

Na passagem pelos Salgueiros, uma bonita zona de recreio e balnear de São Sebastião, parei para um cafezinho e já ali fui surpreendido pela generosidade Açoriana: ganhei algumas bananas!

“É bom pro exercício” disse o senhor da tasquinha, que me confessou que apesar do número de tendas montadas na zona de lazer o movimento este ano não estava grande coisa. Agradeci as bananas e continuei minha jornada. Mesmo assim achei que tinha bastante gente mas quem sou eu pra discordar do senhor 🙂

Teria sido rápido chegar a Angra do Heroísmo, mas quando estamos em casa é fácil encontrar os amigos pelo caminho e entre uma paragem e outra para contar as novidades da viagem a cidade património parecia ficar cada vez mais longe. São coisas que acontecem só quando estamos em casa e foi bom encontrar os amigos e partilhar um pouco da aventura.

Ao chegar em Angra do Heroísmo, aproveitei para passar pelo “doutor” e verificar o estado da minha companheira de duas rodas que estava a precisar de um “check-up” e tudo correu bem. Era só um raio a precisar de um ajuste e pronto. Obrigado ao pessoal da Total Bike porque foram muito simpáticos.

Serreta - PedalaçoresO pedalar por Angra do Heroísmo foi agradável e apesar do trânsito intenso na Rua da Sé, não me senti intimidado pelos carros e entre uma ruela e outra fiz ali algum “zig-zag” para curtir a cidade património e respirar um pouco daquela história toda que se sente quando por ali passamos.

Apesar de muito movimentada, não me cruzei com nenhum ciclista na citadina Angra do Heroísmo àquela hora e apenas encontrei uma bicicleta estacionada na zona da marina, onde existem suportes para se parar as bicicletas. Mais umas voltas pela cidade e era hora de continuar a minha jornada.

Com a Serra de Santa Bárbara toda encoberta até pensei que ia mesmo apanhar chuva mas São Pedro foi simpático e me poupou. Entre um e outro encontro parei na Serreta para falar com um senhor que estava a malhar feijão e estive a conversa com ele um bom tempo.

Matias Simão - Terceira - PedalaçoresEle me disse que tinha uma máquina na vila, mas como era pouquinho fazia assim. Pedi para fotografá-lo e ele disse que sim, entretanto, disse a esposa à janela com todo o sotaque da ilha Terceira: “já vais para o Facebook!!” e é claro que o riso foi inevitável. Também foi inevitável pensar que apesar de estarem longe de muita coisa e ainda ali a malhar feijão à mão, aquela geração (que já tinham idade para serem meus avós) sabia o que era o tal do Facebook mostrando que não há idade para aprender, haja vontade. Engraçado.

A generosidade de São Pedro acabou no Raminho, onde o vento de frente me desafiou até chegar a Praia da Vitória, onde tudo começou, mas valeu a pena pois fui acompanhado de um fim de tarde lindíssimo que soube como que uma recompensa pelos 90.5km percorridos.

Foi um dia lindo!