Encontros improváveis

Hoje deixei as Lajes para trás. Eram 9 da manhã estava a subir a ladeira que faz a ligação da vila para a estrada regional e decidi parar numa pequena oficina para pedir uma chave emprestada porque estava cismado com um ruido que a bicicleta estava fazendo.

Não podia ter acontecido coisa melhor!

Entrei num mundoFotor0808225733 muito familiar, uma oficina mecânica com tornos e fresas e muita ferramenta! Uma delícia.

Quando comecei a reparar nos detalhes saltaram-me à vista um conjunto de arpões para baleação (dahhh!!! estamos nas Lajes!) e um leme  de um barco que estava ali para ser recuperado. Fui falar com o proprietário e pedi-lhe o que precisava e o senhor, que era mais prestável do que simpático, disse-me para esperar e apontou para um funcionário.

Fiquei ali à espera e continuei observando, mas quando lhe disse que também era torneiro, ele ficou logo diferente e assim já não tive que esperar e fomos juntos ver a chave que era necessária.

Enquanto resolvia o meu problema, estavam duas pessoas a passar umas peças numa máquina e de lá saía um cheiro que nunca tinha sentido… não era o trabalhar do metal, não era madeira e de tanta curiosidade fui perguntar do que se tratava. Foi aí então que, pela primeira vez, senti o peso de um verdadeiro osso de baleia pois era isso que eles estavam a trabalhar e disseram que era para encastrar no tal leme que eu tinha visto lá dentro. É um material impressionante!

Depois de trocar impressões com o senhor que estava ali a coordenar os serviços, vim a saber que ele esteve a bordo do último bote baleeiro que saiu do mar dos Açores. Disse que foi em 1987, mas que começou naquela vida com 14 e “aprendi com os mais velhos e ensinei os mais novos, coisas que essa juventude já não quer mais” disse ele.

Só mesmo nas Lajes do Pico.