Recantos e encantos de Santa Maria

Santa Maria - Pedalaçores

A passagem a pedalar pela ilha de Santa Maria foi ímpar por vários motivos e a boa onda do Festival Maré de Agosto pareceu emanar por toda a ilha pois a vida estava a mostrar-se em todos os recantos por onde passei.

É notória a diferença arquitectónica e urbanística da Vila do Porto e quando começamos a prestar atenção em cada casa, em cada ruela, em cada largo é que nos damos conta destas diferenças e a vila tem muito por explorar apesar de pequenina.

Vila do Porto cresceu à volta da sua via radial que pelo lado do mar é encabeçada pelo Forte de São Brás e que tem na outra ponta uma igreja e foi a posição estratégica deste forte que garantiu a sobrevivência dos primeiros povoadores, que após os consecutivos ataques dos corsários pelas zonas de fácil acesso, foram naquela zona encontrar um obstáculo natural que garantisse a sua protecção e capacidade de enfrentar estes inimigos. Foi o que me disse o Marcos, um mariense orgulhoso de sua terra e com muita paixão ao me explicar um pouco da história da sua terra.

Santa Maria - Forte de São Brás - PedalaçoresAo sair de Vila do Porto também damos conta de outras diferenças e quanto mais me afastei da sede de conselho fui observando muita coisa diferente das restantes ilhas que passei.

Acho que a sorte de ter sido poupada dos grandes sismos que afectaram muito as outras ilhas reflete-se na conservação do património de Santa Maria, que mesmo estando em certos casos abandonado não encontra-se em ruínas e isto, apesar de ter  algum charme, me fez pensar na vida toda que existiu em certas zonas e nos motivos que levaram as pessoas a abandonar aquelas paisagens dignas de cartões postais.

E por falar em postais, não podia deixar de ir a Baía de São Lourenço onde estive a conversa com agentes da PSP que fazem patrulha em bicicleta pelas praias de Ponta Delgada e que neste momento estavam destacados por causa do Festival Maré de Agosto.

São Lourenço - Santa Maria - PedalaçoresMe disseram que foram eles a escolher aquela posição e que gostam muito. Fazem uma formação especial para a patrulha em bicicleta e dizem que é tranquilo e que sentem-se mais perto das pessoas, entretanto, tem o inconveniente de não poder ter férias no verão com a família e que geralmente por causa disso a rotatividade naquele posto é de mais ou menos 3 anos e depois disso mudam. A verdade é que candidatos/as para a bicicleta nunca falta, garantiram-me.

Em direcção a Santo Espírito encontrei-me com amigos da Terceira e na volta para a minha base mariense passei mais uma vez pela Praia Formosa para ver como estava a o ambiente do Maré de Agosto e foi um fim de tarde muito bonito.

Uma coisa que notei em Santa Maria foram as apitadelas. Foi a ilha onde mais levei apitadelas… se é efeito do Maré de Agosto não sei, mas o facto é que mesmo sendo surpreendido por algumas delas nunca me senti ameaçado pelos/as autores/as das mesmas e mesmo com um trânsito que penso ser acima do normal, devido ao festival, o respeito à bicicleta foi impecável.

Pensando bem deve ter sido do Maré 🙂

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