O nosso projecto

No verão de 2012 foram percorridas 8 das 9 ilhas açorianas, a ilha do Corvo ficou de fora por constrangimentos técnicos, mas alcançamos o nosso objectivo e hoje posso dizer que também conheço os Açores de outra maneira.

Não foi fácil. Conjugar horários de barcos, entender as paragens dos autocarros (e descobrir os horários), encontrar lugares para parar a bicicleta entre outras coisas foram pequenos desafios que apareceram ao longo da minha viagem.

Foram mais de 900km de bicicleta a passar pelas ilhas dos Açores com o intuito de entender quais são as razões que levam as pessoas a escolher a bicicleta como meio de transporte. Entender os constrangimentos que dificultam ou que afastam as pessoas da utilização da bicicleta como meio de transporte no seu dia-a-dia também foi um dos objectivos do projecto.

Desta maneira, com o Pedal’Açores, espero ao menos incentivar/provocar o diálogo a volta do tema mobilidade nos Açores. Tenho agora muitas das minhas questões respondidas, mas também tenho mais consciência de muitas outras coisas que nunca tinha imaginado.

Bicicleta e Mobilidade

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Por todo o mundo é notório o aumento da utilização da bicicleta como meio de transporte mas nos Açores a sua utilização diária ainda é tímida. Com este projecto tentamos perceber quais são as razões que levam a população a não utilizar com mais frequência este divertido meio de transporte.

O aumento constante do preço dos combustíveis está a impulsionar no mundo todo a utilização de soluções alternativas de transporte, sector responsável por 30% a 40% do nosso consumo energético, e os Açores não podem ficar indiferentes a esta questão. A obesidade é uma doença em franca expansão por todo o mundo e a utilização da bicicleta promove o exercício físico, na Austrália por exemplo, com o declinio da utilização da bicicleta devido a imposição de algumas regras em 1991, houve um aumento significativo dos casos de obesidade. Pedalar é saúde!

Onde estão? Quem as utiliza? Quantas são? Para quê?

Muitas são as perguntas que me surgem quando penso sobre as bicicletas nos Açores.

Quantas são, quem as utiliza, de que maneira, com que frequência? Foram algumas das perguntas que fiz aos ciclistas dos Açores que encontrei durante a viagem. Agora já entendo um pouco melhor as razões que levam as pessoas a adoptar este tipo de transporte. Também foi muito importante ouvir opinião destas pessoas sobre o a influência da utilização da bicicleta nas suas vidas e a mobilidade.

Pedalar pra quê?

Viver nos Açores é maravilhoso e ao mesmo tempo um desafio. Maravilhoso porque temos a tranquilidade da natureza a nossa volta, porque temos qualidade de vida e vivemos quase que protegidos dos males do mundo, por outro lado é um desafio pois as maravilhas da natureza por vezes são duras e o isolamento e a dispersão dos Açores têm influência na vida de todos nós que aqui vivemos.

A dependência energética dos Açores é para mim uma preocupação constante e apesar de todos os esforços e obras que têm sido executadas com o intúito de diminuir esta dependência penso que existe muito ainda por fazer.

Não bastam os painéis solares, os aerogeradores, a geotermia e as lâmpadas económicas para resolver o nosso problema da dependência externa pois uma grande fatia da nossa factura energética deve-se aos transportes. Desde 2003 até 2011 o parque automóvel dos Açores aumentou de 97.017 para 129.169 veículos sendo notório (e encomodo) a expressão deste aumento nas ruas de nossas vilas e cidades.

O aumento galopante dos preços do petróleo na última década refletiu directamente na nossa qualidade de vida e em tudo que nos rodeia e tem servido sempre para justificar o aumento de muitos produtos. Mas o que fizemos para contrariar esta dependência? Como a sociedade tem se adaptado a estas novos cenários? Como os nossos decisores políticos estão a lidar com a questão da mobilidade? De que maneira as pessoas são incentivadas e pensar e discutir a mobilidade no seu dia-a-dia? São estas e muitas outras questões que gostariamos de discutir.

É por isso que pedalo pois a bicicleta será o principal agente do nosso projecto e servirá de “plataforma” para incentivar as pessoas a pensar sobre a mobilidade e tudo aqulo que ela toca.

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