A equipa

PatoMárcio Vítor

Vivo nos Açores desde 2.000 mas nasci numa das cidades mais planas do Brasil, o que fez a minha convivência com as bicicletas uma coisa tão natural como respirar. Elas estavam em todo o lado e trafegavam em pé de igualdade com os demais veículos pois todos viam a bicicleta como parte integrante do dia-a-dia. Hoje, em Araçatuba, existem 1,33 bicicletas para cada carro num total de 80.000 bicicletas. Aos 7, depois de já saber andar de bicicleta mudamos para uma cidade não tão plana… mas nem por isso abandonei minha companheira pois “ir de bicicleta” era a coisa mais natural do mundo.

Desde a infância até a adolescência, não houve meio de transporte que utilizasse mais do que a bicicleta para as mais diversas situações: ir ao supermercado, escola, dentista, namorar, trabalhar LinkedIn - Marcio Vitor e claro para passear 🙂

Com o passar do tempo, por ter vivido sempre perto do trabalho, pela “facilidade” do automóvel e a desculpa da correria diária fui deixando, lamentavelmente, a minha melhor amiga de lado e estive quase 5 anos sem pedalar pois tive … poderia apresentar aqui milhares de supostas justificativas para isso ter acontecido mas não é o mais importante neste momento. Olhando para trás agora penso que a desculpa maior foi chegar aqui nos Açores e ver poucas bicicletas nas ruas.

O facto é que nestes anos todos elas começaram a aparecer… e bem!!!

Gosto muito e admiro este meio de transporte, pelado antes de saber escrever e por isso decidi iniciar esta viagem que irá me ajudar a pensar em muita coisa e sobretudo na mobilidade nos Açores.

Minha viagem de bicicleta a pedalar pelos Açores começou no dia 2 de Agosto de 2013 na ilha das Flores e terminou no dia 1 de Setembro de 2013 na ilha de São Miguel. Nunca mais serei o mesmo…

Ana Teixeira

Santa Cruz bikersDurante os seus dias de férias em Santa Cruz, a bicicleta foi o seu principal meio de transporte naquela pacata vila balnear do concelho de Torres Vedras. A alta velocidade e a adrenalina constante causada pelas bicicletas sem travões era tudo o que ela e sua irmã precisavam para alegrar os dias de férias. Nos verões da infância não havia outra coisa senão praia e bicicleta.

Já em Lisboa, a proximidade da escola não lhe ofereceu a oportunidade nem a necessidade para a utilização da bicicleta mas foi desde sempre adepta à utilização dos transportes públicos da capital e não só.

Grande impulsionadora do Pelal’Açores, entre a sua tese de mestrado e outras coisas ela é parte fundamental da equipa… sem a sua ajuda nada disso seria possível.

Filipe Fernandes - PedalAcores - EquipaFilipe Fernandes

Sou o típico cidadão “auto-mobilizado” a quem a possibilidade de utilização do automóvel, pouco depois de soprar as dezoito velas, interrompeu um feliz hábito de utilização da bicicleta no quotidiano. Sadios passeios de dezenas de quilómetros faziam parte do cardápio de um dia normal numa bela Giant cinzenta, upgrade de uma primeira bicicleta comprada alguns anos antes, nas estradas circundantes a Coimbra.
A Princesa Mariana, que caminha para as quatro primaveras, e o seu crescimento galopante, obrigou a uma saudável re-avaliação de prioridades, de hábitos e de rotinas. Uma viagem a Amsterdão, a compra da primeira bicicleta para a Mariana (qual ritual de passagem do pueril triciclo…) e as conversas com o Márcio acerca do Pedal’Açores funcionaram como gatilho para várias questões…
Mesmo residindo numa ilha com uma orografia desafiante, como é possível que tenha adorado andar de bicicleta em Amsterdão, desfrutado da mobilidade que me permitiu e do prazer que foi pedalar, quando, em casa, nem sequer me dei ao trabalho de ter uma bicicleta para fazer companhia a dois carros? Como posso comprar uma bicicleta à Mariana, sem ter, também, uma? Qual o sentido de permanecer numa rotina confortável, sem parar para questionar se tudo aquilo que é confortável é, realmente, bom?
Perceber o entusiasmo do Márcio e da Ana no Pedal’Açores, constatando que a minha consciência “auto-mobilizada” era demasiado limitada, confortável e falível, foi um óptimo tónico para envidar esforços para começar a mudar mentalidades e hábitos… Já existem duas bicicletas cá em casa, com a terceira a caminho, e cresce a consciência que, se é certo que a pedalar não conseguiremos mudar o mundo, podemos, garantidamente, mudar um pouco do nosso mundo. Mesmo.
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