Tudo é relativo

Porto da Praia da Vitória - Ilha Terceira - Açores - PedalaçoresA notícia sobre o novo “Plano Integrado de Transportes dos Açores” (1) despertou-me para algo que já tinha pensado há tempos mas que ainda não tinha passado para o ‘papel’.

Chegar às ilhas dos Açores numa embarcação é algo tão natural como a existência das próprias ilhas, ou seja, desde o seu descobrimento pelos portugueses, ou antes (2), viajar de barco entre as ilhas faz parte do dia-a-dia da vida de todas as pessoas que vivem no nosso lindo arquipélago dos Açores. Historicamente, andamos a fazer isso há mais de 500 anos (3).

Apesar de não se saber bem ao certo quando é que os Açores foram descobertos, um facto parece ser transversal a todas as datas possíveis: foi pelo mar 🙂

Desde então, toda a história das ilhas foi tocada de certa forma por esta maravilha tecnológica (os barcos) que permitia, com o simples içar de uma vela, transportar pessoas e bens de uma ilha para outra, flutuando sobre as águas azuis do Atlântico. Continuar a ler

O Pedal’Açores em números (P.2)

Pilar - Ponta Delgada - PedalaçoresDepois de terminada a primeira edição do Pedal’Açores ficam aqui os números mais curiosos da nossa grande aventura a passar por paisagens maravilhosas, pessoas interessantes e carregada de momentos de muita reflexão sobre a mobilidade no nosso maravilhoso arquipélago no meio do Atlântico.

Neste momento estamos a compilar informação e em breve prometemos publicar aqui no nosso blog algumas reflexões mais profundas sobre a questão da mobilidade nos Açores.

Como sabem não foi possível ir ao Corvo porque não era garantido poder voltar, havia muitos passageiros na viagem de volta, de maneira que não era garantido espaço para a bicicleta (?!?!) na viagem de regresso. Por isso este ano foram “só” oito ilhas, entretanto, na próxima edição do Pedal’Açores vai ser diferente.

Ficam aqui os números do Pedal’Açores 2013:

8 ilhas;

1.110 quilómetros percorridos de bicicleta;

84 horas e 22 minutos de pedaladas;

12 parques de campismo;

6 casas de amigos para pernoitar e pôr a conversa em dia;

888 milhas náuticas;

24.801 metros de ascenção a pedalar;

31 dias na estrada a pedalar;

1.263 metros de ascenção a caminhar;

11 turistas a conhecer os Açores a pedalar;

10 nacionalidades;

4 barcos diferentes;

4 calços de travões;

1 pneu furado;

2 raios partidos;

1 visita ao Bike Doctor;

2 viagens de camioneta;

3 festivais;

1 mosca engolida;

4 entrevistas;

Muitos pacotinhos de massa instantânea e barrinhas energéticas;

Vários litros d’água;

Centenas de golfinhos;

Dezenas de Pedalaçorian@s de todas as idades;

Muita gente feliz!

Recantos e encantos de Santa Maria

Santa Maria - Pedalaçores

A passagem a pedalar pela ilha de Santa Maria foi ímpar por vários motivos e a boa onda do Festival Maré de Agosto pareceu emanar por toda a ilha pois a vida estava a mostrar-se em todos os recantos por onde passei.

É notória a diferença arquitectónica e urbanística da Vila do Porto e quando começamos a prestar atenção em cada casa, em cada ruela, em cada largo é que nos damos conta destas diferenças e a vila tem muito por explorar apesar de pequenina.

Vila do Porto cresceu à volta da sua via radial que pelo lado do mar é encabeçada pelo Forte de São Brás e que tem na outra ponta uma igreja e foi a posição estratégica deste forte que garantiu a sobrevivência dos primeiros povoadores, que após os consecutivos ataques dos corsários pelas zonas de fácil acesso, foram naquela zona encontrar um obstáculo natural que garantisse a sua protecção e capacidade de enfrentar estes inimigos. Foi o que me disse o Marcos, um mariense orgulhoso de sua terra e com muita paixão ao me explicar um pouco da história da sua terra.

Santa Maria - Forte de São Brás - PedalaçoresAo sair de Vila do Porto também damos conta de outras diferenças e quanto mais me afastei da sede de conselho fui observando muita coisa diferente das restantes ilhas que passei.

Acho que a sorte de ter sido poupada dos grandes sismos que afectaram muito as outras ilhas reflete-se na conservação do património de Santa Maria, que mesmo estando em certos casos abandonado não encontra-se em ruínas e isto, apesar de ter  algum charme, me fez pensar na vida toda que existiu em certas zonas e nos motivos que levaram as pessoas a abandonar aquelas paisagens dignas de cartões postais.

E por falar em postais, não podia deixar de ir a Baía de São Lourenço onde estive a conversa com agentes da PSP que fazem patrulha em bicicleta pelas praias de Ponta Delgada e que neste momento estavam destacados por causa do Festival Maré de Agosto.

São Lourenço - Santa Maria - PedalaçoresMe disseram que foram eles a escolher aquela posição e que gostam muito. Fazem uma formação especial para a patrulha em bicicleta e dizem que é tranquilo e que sentem-se mais perto das pessoas, entretanto, tem o inconveniente de não poder ter férias no verão com a família e que geralmente por causa disso a rotatividade naquele posto é de mais ou menos 3 anos e depois disso mudam. A verdade é que candidatos/as para a bicicleta nunca falta, garantiram-me.

Em direcção a Santo Espírito encontrei-me com amigos da Terceira e na volta para a minha base mariense passei mais uma vez pela Praia Formosa para ver como estava a o ambiente do Maré de Agosto e foi um fim de tarde muito bonito.

Uma coisa que notei em Santa Maria foram as apitadelas. Foi a ilha onde mais levei apitadelas… se é efeito do Maré de Agosto não sei, mas o facto é que mesmo sendo surpreendido por algumas delas nunca me senti ameaçado pelos/as autores/as das mesmas e mesmo com um trânsito que penso ser acima do normal, devido ao festival, o respeito à bicicleta foi impecável.

Pensando bem deve ter sido do Maré 🙂