Receita: Sensibilização à moda dos Açores

Civísmo - Pedal Açores

Carros estacionados na Rua de Jesus – Praia da Vitória

De acordo com a Infopédia da Porto Editora (1)

sensibilizarconjugação
verbo transitivo

1. tornar sensível; tocar a sensibilidade de; comover; tocar
2. chamar a atenção para; impressionar; alertar
3. tornar sensível à ação de (agente interno ou externo)
4. FOTOGRAFIA revestir (uma película) de uma camada de emulsão fotográfica sensível à ação da luz branca

verbo pronominal

1. comover-se; emocionar-se
2. tornar-se sensível, consciente
(Do latim sensibĭle-, «sensível» +-izar)

Correio dos Açores - 25 de Janeiro de 2014 - PedalaçoresNem sei como dizer isto de uma maneira assertiva, vai ser complicado, mas ver um título de jornal dizendo que “Ciclistas vão ser multados se circularem nos passeios” e chamar isso de sensibilização só me dá vontade de rir.

Nos Açores, assim como na maior parte do território português, é ridiculo o à vontade com que os veículos motorizados tratam os passeios e a maneira como muitos condutores tratam a via pública (2) como se fosse uma coisa só sua.

Agora que o código melhorou para as bicicletas é que se lembraram que existem regras para ser cumpridas, que aliás serve para todos que circulam na via pública, inclusive peões. Como é possível sensibilizar com multas?

Chega a ser embaraçoso, pensar que nos Açores (ou nalgum lugar neste país), alguém seja multado por circular de bicicleta nos passeios. Só demonstra o quão obtusas são certas mentes que co-habitam num espaço onde carros estacionam nos passeios, onde carrros circulam muito acima dos limites de velocidade previstos, onde condutores chamados “profissionais” nem sequer sinalizam que vão fazer uma ultrapassagem, onde a utilização dos coletes quando há uma avaria é negligenciada, onde empresas recolhem funcionários à espera no acostamento de uma via-rápida, onde tranportam tudo e mais alguma coisa em cima de camiões sem redes de proteção, enfim… é um mar de barbaridades. Bora lá sensibilizar essa gente toda! Vamos sensibilizar as Câmaras Municipais, os nossos Governantes, as Forças de Segurança Pública, os nossos vizinhos… Continuar a ler

Rua dos Mercadores – Ver com outros olhos

Rua dos Mercadores - Ponta Delgada - Pedalaçores

Rua dos Mercadores em Ponta Delgada
– o eterno impasse –

Com tanta evolução à porta já era hora de alguns dos nossos comerciantes verem com outros olhos algumas tendências, abrirem os seus horizontes para novas soluções e arriscar. O comércio tradicional não pode esperar sobreviver com idéias ancestrais.

São dezenas as zonas comerciais em diversas cidades no mundo que viram na conversão das suas ruas em zonas pedonais a solução e o renascer dos seus comerciantes. Entretanto, foi necessário vencer certos paradigmas e negociar contrapartidas com as entidades locais de forma a todos ganharem.

Não seria justo aqui debitar números sem antes ter a humildade de constatar que tudo precisa ser ajustado à escala dos Açores e muito menos quero aqui preconizar a necessidade de criação de ciclovias, não se trata disso. Trata-se de abrir a nossa visão para soluções que já estão implementadas e onde existem reflexos positivos para a sociedade.

Fica aqui uma pequena amostra do que está acontecendo nos Estados Unidos por exemplo (1): Continuar a ler

Tudo é relativo

Porto da Praia da Vitória - Ilha Terceira - Açores - PedalaçoresA notícia sobre o novo “Plano Integrado de Transportes dos Açores” (1) despertou-me para algo que já tinha pensado há tempos mas que ainda não tinha passado para o ‘papel’.

Chegar às ilhas dos Açores numa embarcação é algo tão natural como a existência das próprias ilhas, ou seja, desde o seu descobrimento pelos portugueses, ou antes (2), viajar de barco entre as ilhas faz parte do dia-a-dia da vida de todas as pessoas que vivem no nosso lindo arquipélago dos Açores. Historicamente, andamos a fazer isso há mais de 500 anos (3).

Apesar de não se saber bem ao certo quando é que os Açores foram descobertos, um facto parece ser transversal a todas as datas possíveis: foi pelo mar 🙂

Desde então, toda a história das ilhas foi tocada de certa forma por esta maravilha tecnológica (os barcos) que permitia, com o simples içar de uma vela, transportar pessoas e bens de uma ilha para outra, flutuando sobre as águas azuis do Atlântico. Continuar a ler